Tinha tudo o que queria, e queria tudo o que via.
Passava o dia observando o redor. Se alguém tinha uma roupa bonita, ele a queria, se desfilassem uma bolsa da moda, ele comprava.
Mas não via só o que podia comprar... pois passava o dia observando o redor. Se alguém tinha uma nova namorada, ele precisava tê-la, se outro alguém conseguisse uma promoção no trabalho, ele tinha que tê-la também, ou ao menos fazer com que esse outro a perdesse, tanto faz.
Tinha tudo o que queria, e queria mais do que podia. E para isso dizia ter dinheiro, e ele compra tudo, não compra? Ele queria a felicidade do amigo, a beleza do surfista, a inteligência do professor, a destreza do pára-quedista.
Fazia tudo o que queria, e queria tudo o que via, mas não via tudo o que fazia. E por não ver tão assim, confiante, atravessou na contra mão.
“Aqui jaz um homem que só queria ser notado”, mas que, no final, só os vermes choraram quando ele acabou.